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15-02-2012 Sociedade, Caldas da Rainha
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Lagoa de Óbidos

Lagoa de Óbidos Lagoa de Óbidos
Grupo de cidadãos exige dragagem permanente e queixa-se que obras estão a estragar marisco   O grupo de cidadãos criado em torno da página do Facebook “Os Amigos da Praia da Foz do Arelho” reivindica do Ministério do Ambiente que assuma a responsabilidade de assegurar a dragagem permanente da Lagoa de Óbidos e que garanta a execução de um plano de recuperação de dragados, em conjunto com os municípios de Caldas da Rainha e de Óbidos. Reunido no restaurante ‘’Tropicana’’, no Nadadouro, representantes do grupo de 49 pessoas, aproveitaram para dar conta da petição pela salvaguarda da Lagoa, que já cerca da 1500 das quatro mil assinaturas necessárias para serem entregues na Assembleia da República. No entender dos signatários, “as obras de dragagem adjudicadas em novembro de 2011 são insuficientes e destituídas de uma resposta ao contínuo assoreamento e poluição da Lagoa de Óbidos em toda a sua extensão, nomeadamente, a montante”. Graciete Morgado esclareceu que “como o desassoreamento é insuficiente, decidimos manter a luta”. João Penedos é o mentor da ideia da petição, após conversas no Facebook sobre a Lagoa. “Ainda há quatro décadas, na zona entre os braços da Barrosa e do Bom Sucesso, chegaram a existir salinas, no mesmo local onde, hoje, os rios Real, Arnoia e da Cal despejam as suas águas carregadas de detritos e substâncias poluentes, provenientes dos esgotos industriais e domésticos, oriundos das adegas, suiniculturas, destilarias, fábricas de conservas de carne e de cosmética, que não cumprem os requisitos mínimos de descargas”, afirmou. Segundo apontou, “é evidente o cheiro a esgotos e asfixiante que se faz sentir em alguns locais da cidade, nomeadamente na área do hipermercado Intermarché”. O comerciante denunciou a existência a montante da Lagoa de “fundos de meio metro de altura devido ao assoreamento extremo”, onde se podem encontrar “lodos carregados de matéria orgânica em putrefação, algas infestantes e águas turvas e mal cheirosas”, que originam “pragas de mosquitos e melgas”. “Fez-se o caminho pedestre ao longo das margens da Lagoa para agora e cada vez mais os utentes inalarem aqueles odores asfixiantes”, ironizou. Para João Penedos, “há que intervir na limpeza dos rios e suas margens, sendo necessário criar condições de escoamento e tratamento dos esgotos que ainda correm diretos para os rios ou para a Lagoa. De seguida, estender a intervenção aos braços da Barrosa e do Bom Sucesso, e a toda a bacia hidrográfica confinante, removendo o lodo”. Exigiu, por isso, “uma draga a funcionar em pleno, preventivamente, ao longo da Lagoa, sustentada pelos dragados vendidos”. Graciete Morgado indicou que “as câmaras que têm obrigação de despoluir estão a ajudar à poluição, basta ver o saneamento básico, e assim nunca mais vamos ter fim” Ana Paula Mendes pediu que seja feita uma campanha de esclarecimento e de sensibilização pública para quem no exercício da sua atividade profissional, prática de desportos ou veraneio não contribua para a poluição da Lagoa, nomeadamente em redor das suas margens, e para que não sejam depositados resíduos industriais e eletrodomésticos fazendo das margens “um cemitério de ferro-velho”. Rodrigo Morgado anunciou que o grupo promotor da petição irá “fazer várias campanhas públicas de recolha de assinaturas, pelo que apelamos à maior adesão popular”. Quem preferir poderá assinar online, bastando procurar no Google “petição pela salvaguarda da Lagoa de Óbidos ou pela ligação http:/peticaopublica.com/?Pi=LAGOAOBI”. O grupo esclarece que “existe outra petição de um movimento de cidadania que diz apenas para acabar com a poluição e não apresenta alternativas, mas tem acontecido que muita gente acaba por subscrever a outra petição, tem havido confusão que “ As petições é difícil parece que está esgotado   Mariscadores prejudicados   João Penedos denunciou que a obra que está em curso na Lagoa “está a estender significativamente a praia para zonas aquém do cais e estão a calcar os bivalves com toneladas de areia, nomeadamente na zona do cais”. “Não será esta mais uma manobra para acabar com os mariscadores?”, interrogou. De acordo com o grupo, a área onde os mariscadores estavam habituados a tirar mexilhão, berbigão, amêijoa-macha e amêijoa-real está a ser soterrada pela areia. “Estão a tirar do meio os inertes e a colocar na margem onde está o marisco. Estão a meter 20 metros de areia da margem para dentro e a soterrar o marisco todo”, manifestou Rodrigo Morgado. Desde 1 de janeiro que a atividade marisqueira está parada, por ordens da capitania do Porto de Peniche. “Estão a matar o nosso pão. Temos licenças pagas mas estamos proibidos de entrar na Lagoa até maio. Como nos vamos sustentar até lá? Ao menos deixavam apanhar para comermos. Temos de estar coletados nas Finanças e mesmo nestes quatro meses temos de pagar Segurança Social. Se fosse para o marisco crescer, agora porque é que estão a matá-lo?”, insurgiu-se Fernando Baltazar, de 51 anos, mariscador e pescador há 35. Rodrigo Morgado, que é mariscador há 15 anos, desabafou que tem “um bebé de quatro meses e estou a viver em casa de familiares”. Do marisco da Lagoa dependem diretamente cerca de 300 famílias.   Francisco Gomes    
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